quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Porque o amor não tem idade!!!

Manchete principal da capa do Jornal da Cidade de 17/11/2010 (e viva o amor!):



“A gente passeia, vai ao cinema, sai para dançar. Somos muito companheiros”, diz Maria Inez Gazarini Conde Piesker sobre o relacionamento com o marido, o alemão Georg Stefan Piesker, com quem se casou há um ano e meio. A empolgação que ainda permanece da época em que eram namorados é comum entre casais que se uniram há pouco tempo e, com ambos, não poderia ser diferente. Ele com 72 anos, ela com 59, Maria Inez e Georg não se intimidam em revelar - e demonstrar - que ainda vivem como dois “pombinhos”.
Moradores de Bauru, eles fazem parte de um novo fenômeno que vem ganhando força nos últimos cinco anos na cidade: o de pessoas que se casam oficialmente depois de atingir a maturidade. Segundo a pesquisa “Estatísticas do Registro Civil 2009”, divulgada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comparando o ano de 2003 com 2009, o registro em cartório de matrimônios entre pessoas com mais de 50 anos quase dobrou em Bauru. Somente no ano passado foram 91 uniões oficializadas, ante as 46 registradas cinco anos atrás.
Após os 60 anos o índice de aumento é de 55,5%, ainda maior que a média de casamentos envolvendo todas as idades, de 30%. O aumento da expectativa de vida, o maior acesso a recursos estéticos e de saúde, a conquista da autonomia feminina e a diminuição do preconceito são apontados como os principais fatores que colaboraram para essa mudança na sociedade.

Segundo a psicóloga e terapeuta de casais Maria Regina Corrêa Lopen Vanin, o ingresso da mulher no mercado de trabalho permitiu não apenas que a mulher pudesse tomar decisões sobre sua vida no aspecto financeiro. Mais do que isso, ela adquiriu maior conhecimento e consciência sobre seu corpo e suas vontades.
“As mulheres estão se mantendo interessantes por mais tempo, intelectualmente e fisicamente falando. Na década de 1950, uma mulher de 40 anos era considerada uma senhora que, se ficasse viúva, não se casava mais. Essa realidade foi completamente mudada”, pondera Regina, lembrando que, naquela época, os homens acima dos 50 anos geralmente se casavam pela segunda vez com mulheres bem mais jovens. No ano passado, de acordo com a pesquisa, de todos os homens de 60 anos ou mais que se casaram em Bauru, apenas um se uniu com uma mulher com menos de 40 anos.
Liberação

Dentro deste contexto, aponta a psicóloga, a liberação sexual da década de 1960 também fez com que a mulher conhecesse melhor seu corpo e entendesse que poderia realizar seus desejos. “Enquanto essa revolução acontecia, o homem começou a descobrir essa mulher bem resolvida, que mais do que um objeto ou um troféu que ele poderia carregar, poderia ser uma parceira com maior afinidade de pensamentos, com quem ele dividiria sonhos e planos de vida”, considera.

Simultaneamente a essa transformação comportamental - e até por conta dela -, o desenvolvimento científico permitiu a descoberta de medicamentos que estimulam a libido e a melhoria de qualidade de vida na terceira idade, que também foram importantes para acelerar de maneira intensa o número de casamentos em tão pouco tempo.
“Tanto o homem quanto a mulher desta faixa etária passaram a se permitir mais. E as famílias, a aceitar melhor a ideia de que eles poderiam ter uma nova oportunidade de serem felizes ao lado de novos companheiros.”
Mais velhas com mais jovens
O casamento entre mulheres mais velhas e homens mais jovens também está se tornando mais popular em Bauru. Segundo a pesquisa “Estatísticas do Registro Civil 2009”, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os casamentos entre pessoas com esse perfil de união já somam 15,2% do total. Enquanto em 2004 foram registrados 221 matrimônios, em 2009 esse número subiu para 372, um crescimento de 68,3%.

Segundo o IBGE, os resultados mostram que o preconceito em relação a este tipo de relacionamento está diminuindo. Em 2009, o maior volume de casamentos em que ela é mais velha do que ele ocorreu na faixa etária de mulheres de 25 a 29 anos, que respondem por 220 do total de registros civis deste tipo.
Felicidade em toda idade
É essa receita - a de ser feliz - que os aposentados Maria Inez e Georg Stefan Piesker seguem à risca desde que se conheceram, há cinco anos. Foi quando ele deixou a Alemanha para viver em Bauru, cidade onde possui parentes, para não viver sozinho após a viuvez.

Assim que chegou, começou a frequentar a Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati/USC) e, lá, conheceu Maria Inez. Segundo ela, a atração foi imediata e o início da troca de olhares, uma consequência inevitável.
“Nós fazíamos ginástica e dança de salão juntos. Foi onde tudo começou”, revela ela, que não teve filhos, assim como Stefan. Mas, ao contrário dele, Maria nunca havia se casado. “Não tinha encontrado ninguém que valesse a pena. Depois de casar, a vida muda muito para uma pessoa como eu, que passou tanto tempo sozinha. Mas estou realizada”, confessa.

Além de participar das atividades da Uati e realizar programas típicos entre namorados, o casal tem planos de comemorar o segundo ano de casamento, em julho do ano que vem, com uma viagem à Alemanha, país de origem de Stefan. “É como uma lua-de-mel”, comemora Maria Inez.


Um comentário:

Ana Gabriela disse...

Esse post aqui é muito longo!! Já é 01h06, vou ler com calma depois, OK?!
BJo